E fui lá reclamar com o bophe o menu de sempre...sem querer, saiu essa coisinha pueril (pouco editado pa ficar menos ridículo. Mesmo o Pessoa tirando as nóias de mim):
[Demostre não nem prazer, nem dor
Nem gosto nem desgosto
Nem ira nem paixão
Nem querer nem sem querer
Deixa..apenas deixa
E fica tudo abafado
E eu tenho que adivinhar mal adivinhado...
Nem sempre eu vou saber te ler
Nem sempre, eu vou saber te ter
Agora é a vez de forjar sentimentos Hora de prestar satisfação Necessário mostrar piedade Imperioso desenterrar cumplicidade [Abafar a preguiça da bondade].
Poderia tatuar E G O Í S M O na testa que nada poderia soar tão verdadeiro.
Ano novo...blábláblá... dei uma mexidinha no layout desta birosca. De repente ressuscito isso qui. Gastarei um pouquinho de mente. Não sei se dou mais que uma roupagem ou repagino geral. Se mudo totalmente o foco, ou se dou realmente algum foco pras próximas postagens.
Tudo são incognitas como o futuro deste ser que tecla estas desarranjadas palavras.
Para comemorar minha volta a este espaço depois de um hiato considerável, resolvo postar mais um conto produzido pra aula de Criação Literária. A pró pediu para escolhermos uma música e produzir o conto no ritmo da música. Demorei demais pra escolher a melodia ideal que me fizesse abrir a mente para parir o bendito, mas eis que vejo um trailler do filme "Scent of a Woman", onde Al Pacino, que faz um cego, dança o tango de Carlos Gardel e Alfredo le Pera, Por una cabeza.
Baixei a música instrumental tal qual toca no filme e a ouvi seguidamente por horas até encontrar minha historinha. [Depois de lê-la, imagino que a música inspiradora poderia vir do Iron Maiden fácil.]
O título fica como homenagem ao filme e à música, porém o textinho é livre.
Eu vi seu corpo bailando entre a terra e o céu. Ela corria. Corria. Não parecia desespero. Não se diagnosticaria pressa. Saltava. Vestia branco. Havia algumas nódoas oportunistas no seu vestido. Babados. Véus. A meia sofrera com os obstáculos que se impunham em seu caminho. A maquiagem já não era aquela da primeira hora. Era outra. Combinava com o seu estado. Seus cabelos não tinham cor precisa e bailavam com o vento. Deliciosa. Fresca. Corria.
Numa das mãos da fugitiva, notei estranho troféu confeccionado de rosas brancas e laços de fitas.
Ela nunca olhou para trás. Figura sedenta. Passava entre os carros, sobre poças, ignorava o escaldante asfalto mesmo sem já possuir caçados que protegessem seus pés. Afirmar que sentia qualquer dor seria acusação leviana; poderia dizer que atravessava as gentes todas. Multidão sem rostos. Povo intrigueiro que não se furtava em utilizar seus olhos e língua como punhais. Não a atingia.
Ela voava.
Tentávamos adivinhar o segredo daquele espetáculo. Mortais bisonhos.
Boquiaberto a acompanhei até meu pobre limite contado em 180º; até onde a vista deficiente me podia levar.
Quis correr...
A moça flutuava. Perdia-se no além. Deixava para trás a rodovia em espanto. Alheia a tudo. A caminho do mundo.
Não tinha mais que 15 anos, mas aquela moça já ostentava um corpo gasto de mulher mal desenhada. Volumosos seios em iminência queda eram atochados numa camiseta vermelha de uma malha ruim e puída. Os peitos descansavam numa montanha de carne e gordura que se iniciava logo abaixo do tórax e desembocava na altura do quadril quase lhe tapando o sexo; porém não ocultava definitivamente sua identidade mais feminina de todas, pois esta era exibida sem pudores em dois hemisférios bem delimitados que a repartia exatamente no meio e cujas partes almofadadas eram separadas pela costura do zíper do minúsculo short que de tão apertado não se via o cós - afundado na cintura inexistente - nem a bainha, cujas coxas formavam um babado franzido que completava e soterrava a pequena vestimenta. Suas coxas eram marcadas ora por ondas ora por secretos orifícios. Imaginei meu dedo entrando em algum daqueles buracos espalhados aleatoriamente naquele pedaço de fêmur cheio de cobertura gelatinosa. “Como seria a textura daquilo...”; no joelho esquerdo se via a marca das traquinagens da recente infância e seus tornozelos finos uniam-se não harmonicamente a pés relapsos e notadamente destoantes. Dedos disformes e um joanete querendo lhe romper a carne aperfeiçoavam o conjunto daquela obra inacabada... . Susto. . Fitava-me a menina diretamente nos olhos enquanto andava firmemente em minha direção. Aquele olhar desnudou-me, desarmou-me. O coração desobediente batia num desafino audível. Tremi. Cambaleei. Caí, vencido. . E a garota passava cheia das graças desdenhando de minha covardia...
Produçãozinha da aula sobre imagens poéticas de Criação Literária. Hehe...minha palavra era "Cio"... e eu continuo a alimentar esta [fama] injusta de ser uma tarada.