
Protelear é uma arte e me empenho demais em confeccionar situações perfeitas na fina regra de deixar pra depois de amanhã o que deveria ter sido feito anteontem.
E ontem não podia ser diferente. Não costumo decepcionar as expectativas mais otimistas.
Antes de ir em direção ao campus de Ondina fazer a minha matrícula marcada para as 14 horas- eu sempre soube que era por ordem de classificação e como a minha era 8ª, logo, deveria realmente estar lá pontualmente- saía extremamente atrasada do SAC onde fui resolver pendências do último documento. Lógico, no último dia, na última hora...
Obviamente quando cheguei no meu novo ambiente do saber( esta foi horrível), meu nome já havia passado há uns 40 minutos e a moça má que fazia chamada disse que eu teria que esperar até o último nome para voltar às primeiras chamadas. Detalhe, estávamos lá pelo lugar 60º e eram 300 nomes! Todo castigo pra proteladores é pouco e cumpri a sentença por algumas horas de castigo.
E a vingança dos cumpridores de horários e prazos veio a cavalo. Os primeiros viraram os últimos e junto comigo o 2º lugar, um coroa. Sim, meu preconceito foi atiçado: imaginei nerdizinos novinhos pr'os primeiros lugares ( e eu sou novazinha cá pr'as minhas negas); a 5ª colocada, menina um tanto estranha: havia até uma beleza, mas acho que aquela coluna encurvada lhe dava um ar esquizofrênico; a 7ª colocada tinha um cabelo alisado, notava-se que originalmente carregava mesmo um pixaim na cabeça, mas ela alisou, deu chapinha e fez aquele maldito franjão e o mais ridículo não foi seu franjão à la Aline Moraes na novela Duas Caras, ( e quem não assistiu que pesquise as imagens, se quiser) o pior mesmo foi a sua saia, estas coisas que estão na moda, de cintura alta. Tudo bem que fica elegantíssimo na Thaís Araújo, mas, cá entre nós, não é qualquer ser humano que pode segurar essa onda. E ainda nem era daquelas sainhas justinhas, era folgada. Ahhh...que se foda se não sou consultora de moda e que se lenhe se eu usava uma camiseta básica amarela, short azul e sapatilhas xadrez vermelho e branco- acho que traumatizei com os anos 80 e disse um não radical às combinações.
Enquanto eu ia me distraindo com estes pensamentos que mudarão a história da humanidade, iam sendo chamados os outros calouros que ficaram na 189ª posição, 267ª posição e nada da mocinha me chamar.Eu aceitava placidamente o castigo. Merecia. E pagava também maldizendo um cabelo, uns olhos, os dentes...olhando as coisas boas da vida também, que nem besta sou.
Enfim, chegou minha hora. Venci os trezentos obstáculos. Inclusive um desgraçado baixinho que fedia feito um mendigo-maluco, destes que passam e deixam o seu odor quase sólido pesando no ar.
Além das matérias obrigatórias, tínhamos que pegar uma opcional. Nos era dado uma combinação com 6 possibilidades de horários, com 8 matérias cada. Numeramos de 1 a 8 nossa ordem de preferência e...e eu fiquei com a última matéria que eu já pensei em cursar-aliás, nunca pensei cursar. Peguei o lixão das optativas e não opnei em qualquer momento.
Aceito a punição. Este negócio de protelar um dia me ensinaria alguma coisa. Entendi que, já que vou me atrasar, que eu encontre distrações melhores para ocupar o tempinho ocioso.
Amei esse post. É bem a sua cara!
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